Dados e submissao

Recolha de dados Âmbito 3 para CDP: guia prático

Cristina Alcalá-Zamora · · 10 min de leitura

Porque o Âmbito 3 decide o scoring CDP

Para a maioria das empresas, os Âmbitos 1 e 2 são a parte menor do quadro. O GHG Protocol estima que em cadeias de fornecimento globais o Âmbito 3 representa tipicamente entre 70 e 90 por cento da pegada total. Em agroalimentar, retalho, servicos financeiros e bens de consumo, supera frequentemente 95 por cento.

Ainda assim, e a secção em que mais respostas CDP falham. Empresas com inventarios completos em Âmbito 1 e 2 reportam rotineiramente apenas três ou quatro categorias de Âmbito 3, com estimativas baseadas em despesa e pouca metodologia. O scoring CDP penaliza muito esta lacuna. A subida de C para B passa quase sempre por mais cobertura de Âmbito 3.

Este artigo mapeia as 15 categorias, explica quais priorizar, o que os scorers esperam em cada banda e como passar de despesa a atividade sem sobrecarregar a equipa.

As 15 categorias do Âmbito 3

O GHG Protocol define 15 categorias divididas em montante e jusante:

Montante

  • 1. Bens e servicos comprados: emissões embutidas no que a empresa compra. Quase sempre a maior categoria.
  • 2. Bens de capital: produção de ativos de longa vida (edificios, maquinaria, veículos).
  • 3. Atividades relacionadas com energia e combustiveis: emissões não incluidas no Âmbito 1 ou 2 (perdas de transporte, well to tank).
  • 4. Transporte e distribuição a montante: logistica de terceiros para entrada de bens.
  • 5. Residuos gerados nas operações: tratamento e eliminação.
  • 6. Viagens de negocio: voos, comboios, hoteis, aluguer de carro.
  • 7. Deslocações casa trabalho.
  • 8. Ativos arrendados a montante: como arrendatario.

Jusante

  • 9. Transporte e distribuição a jusante: logistica de saida.
  • 10. Processamento de produtos vendidos: terceiros que processam intermediarios.
  • 11. Uso de produtos vendidos: fase de uso. Material em produtos que consomem energia.
  • 12. Fim de vida de produtos vendidos: eliminação apos uso pelo consumidor.
  • 13. Ativos arrendados a jusante: como arrendador.
  • 14. Franchises: operações de franchisados.
  • 15. Investimentos: emissões financiadas via investimentos. Material em instituições financeiras.

Nem todas as categorias são materiais para todas as empresas. O CDP exige um screening para identificar.

Que categorias priorizar

Erro comum: tentar cobrir as 15 com dados fracos em vez de focar nas materiais com dados bons. O screening de materialidade e o primeiro passo de qualquer programa Âmbito 3.

Na maioria dos setores não financeiros, quatro categorias dominam:

  • Categoria 1 (compras) representa tipicamente 50 a 80 por cento do Âmbito 3 em retalho, consumo e indústria.
  • Categoria 4 (transporte a montante) e relevante em qualquer setor com cadeia física.
  • Categoria 11 (uso de produtos vendidos) domina em automovel, energia e eletronica, frequentemente acima de 50 por cento do total.
  • Categoria 15 (investimentos) domina em banca e seguros, frequentemente acima de 95 por cento.

Comece pelas categorias que produzem 80 por cento da pegada. A cauda longa fica para depois. Inventario completo de três categorias materiais pontua mais que parcial das 15.

Despesa vs atividade

O CDP reconhece três métodos principais:

Baseado em despesa: emissões calculadas a partir de despesa financeira pelo fator de emissão (kg CO2e por EUR). Fácil de arrancar porque os dados existem no ERP. Aceitavel no ano um, penalizado no ano três se não houver transição para atividade nas categorias materiais.

Hibrido: mistura de despesa para fornecedores cauda e atividade para os principais. Realista para muitas.

Baseado em atividade: emissões calculadas a partir de dados fisicos (kg de aco, km de transporte, MWh de uso) com fatores específicos. O que mais o scoring premeia.

A progressão de despesa para atividade e a narrativa central de qualquer programa plurianual. O CDP premeia plano e progresso, não apenas estado atual.

O que os scorers esperam em cada banda

Para C, o CDP exige:

  • Screening das 15 categorias com exclusoes documentadas.
  • Reporte quantitativo pelo menos das mais materiais.
  • Alguma documentação de metodologia.

Para B:

  • Inventario documentado de todas as materiais com metodologia por categoria.
  • Plano credível para passar de despesa a atividade nas maiores.
  • Cobertura das emissões de cadeia de valor em avaliação de risco e definição de metas.

Para A:

  • Inventario Âmbito 3 completo em todas as materiais com metodologia baseada em atividade dominante.
  • Garantia limitada sobre categorias materiais.
  • Programa de envolvimento de fornecedores com resultados mensuraveis.
  • Âmbito 3 incluido em metas validadas SBTi.
  • Metodologia setorial onde aplicavel (FLAG para alimentação, por exemplo).

Como arrancar um programa Âmbito 3

Estrutura em três fases:

Fase 1: screening e linha de base (3 a 4 meses)

Identificar as categorias aplicaveis. Para cada uma, estimar a alto nível com despesa ou medias do setor. Output: um Pareto que mostra que categorias movem o volume.

Esta fase produz o primeiro número quantitativo, suficiente para C.

Fase 2: metodologia e dados primários em categorias top (6 a 12 meses)

Para as que movem 80 por cento, substituir despesa por atividade:

  • Compras: fatores específicos por fornecedor para os 20 a 50 principais, usando respostas CDP, ACVs ou inqueritos.
  • Transporte a montante: tonelada quilometro e modo de logistas, fatores GLEC ou DEFRA.
  • Viagens: feed da agência corporativa, fatores DEFRA ou IÇÃO.
  • Deslocações casa trabalho: inquerito anual e modelização de distancias e modos.

Produz inventario defensável, pontua em B, prepara verificação.

Fase 3: maturidade e envolvimento (12 a 24 meses)

Estender cobertura por atividade a cauda longa. Envolver fornecedores na definição de SBTi. Adicionar garantia limitada sobre materiais. Integrar Âmbito 3 em ACV de produto onde os clientes pedem.

Move o score para B+ ou A.

Erros comuns

Em centenas de inventarios:

  • Saltar o screening. Ou se sobreinveste em não material ou se salta o material.
  • Despesa em fornecedores top. Usar fatores de despesa em fornecedores que já entregam dados de atividade e crédito perdido.
  • Ignorar uso de produtos vendidos. Em fabricantes de equipamentos que consomem energia e a categoria maior. Saltar e fraqueza estrutural.
  • Não ligar Âmbito 3 a metas. SBTi e CDP premeiam a inclusão na definição de metas. Inventario completo sem meta perde crédito fácil.
  • Reportar um ano sim, outro não. A continuidade pontua.

Onde se encaixa a Dcycle

Os dados Âmbito 3 vivem em muitos sitios: ERP, plataformas logisticas, ferramentas de viagens, portais de fornecedores e sistemas de ACV. A Dcycle liga tudo e estrutura o output nas 15 categorias do GHG Protocol que o CDP usa. As empresas reduzem tipicamente o tempo de recolha em 60 a 80 por cento e descobrem lacunas que processos baseados em folhas não viam.

Para ver como se aplicaria ao seu setor, solicite uma demo. Para contexto sobre como o Âmbito 3 encaixa com CSRD e SBTi, o centro de recursos cobre o quadro completo.

Reflexao final

O Âmbito 3 já não e opcional. A combinação de scoring CDP, requisitos SBTi, divulgação CSRD e questionários de cliente tornou o reporte abrangente uma expectativa de base, não um movimento de leadership. As empresas que constroem a arquitetura uma vez e a melhoram ano a ano são as que terao divulgações que aguentam escrutinio em 2028 e mais além.

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