Pontuacao e metodologia

Metodologia de pontuacao CDP: como passar de C a A

Cristina Alcalá-Zamora · · 9 min de leitura
Metodologia de pontuacao CDP: como passar de C a A

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O que a pontuacao CDP mede de facto

Uma suposicao habitual nas empresas e que a pontuacao CDP reflete o desempenho ambiental. Nao reflete, pelo menos nao diretamente. A pontuacao CDP mede sobretudo o quao bem uma empresa gere, evidencia e divulga os seus dados ambientais. Duas organizacoes com emissoes semelhantes podem cair em bandas muito diferentes consoante a maturidade da governance, a verificabilidade dos dados e a credibilidade das metas.

Esta distincao importa porque muda onde devera investir esforco. Trabalhamos com fabricantes cujas emissoes de Ambito 1 e 2 estavam entre as mais baixas do setor e que ainda assim pontuavam C, simplesmente porque nao conseguiam apresentar inventario verificado nem evidencia de supervisao do conselho. Pelo contrario, vimos empresas com pegadas crescentes a pontuar B ou A por demonstrarem um plano de transicao credivel e uma arquitetura de dados rigorosa.

O CDP premeia transparencia e qualidade de gestao para alem do proprio desempenho. Compreender a estrutura das quatro bandas, e o que aciona a passagem de uma para a seguinte, e o input de planeamento mais util para a sua proxima resposta.

As quatro bandas de pontuacao

O CDP classifica as respostas em quatro niveis progressivos: Disclosure, Awareness, Management e Leadership. Cada nivel herda os requisitos do anterior e acrescenta novos criterios. Saltar um nivel nao e possivel.

D / D menos: Disclosure

A banda de entrada. Para pontuar aqui, a empresa apenas precisa de responder, nao tem de demonstrar gestao ambiental. A maioria dos respondentes pela primeira vez que submetem questionarios incompletos cai aqui. Um D nao e nota positiva em nenhum sentido relevante; muitos scorecards de investidores e clientes tratam D e F (sem resposta) como equivalentes.

C / C menos: Awareness

Awareness mede se a empresa compreende o seu impacto e exposicao ambiental. Para sair de D:

  • Apresentar inventario completo de Ambito 1 e 2 com dados primarios, nao estimativas.
  • Divulgar pelo menos um Ambito 3 ao nivel de screening, mesmo que nem todas as 15 categorias estejam quantificadas.
  • Evidenciar um processo basico de avaliacao de risco que considere riscos fisicos e de transicao.
  • Mostrar que as questoes ambientais sao reconhecidas a algum nivel da organizacao.

A maioria dos respondentes acaba em C no primeiro ou segundo ciclo. Ponto de partida razoavel, mas deixa de ser defensavel apos duas ou tres submissoes.

B / B menos: Management

Management e onde a pontuacao comeca a refletir maturidade organizacional real. Atingir B exige que a empresa atue sobre o que sabe:

  • Inventario Ambito 3 completo nas categorias materiais, com metodologia documentada.
  • Verificacao por terceiro acreditado para Ambito 1 e 2 (garantia limitada como minimo; razoavel premiada com mais peso).
  • Metas quantitativas de reducao com ano base, ano alvo e ambito claro.
  • Tema climatico integrado na gestao de risco corporativo, com responsaveis nomeados.
  • Supervisao ao nivel do conselho, evidenciada por frequencia de revisoes e administradores nomeados.

A banda a que a maioria das empresas deve aspirar como posicao estavel a medio prazo. Alcancavel sem capacidades exoticas e sinal de gestao genuina.

A / A menos: Leadership

Leadership e a banda do compromisso publico. Atingir A nao consiste apenas em gerir emissoes, mas em demonstrar melhores praticas em estrategia, governance e cadeia de valor:

  • Metas validadas pela Science Based Targets initiative (SBTi) alinhadas com 1,5 graus, idealmente com objetivo net zero.
  • Plano de transicao credivel com alocacao de capex, marcos e ligacao a remuneracao executiva.
  • Analise de cenarios usando pelo menos dois, sendo um de 1,5 a 2 graus.
  • Envolvimento ativo com fornecedores com resultados quantitativos (numero envolvidos, percentagem de Ambito 3 coberta, reducoes alcancadas).
  • Inventario verificado com garantia razoavel para Ambito 1 e 2 e limitada para categorias materiais de Ambito 3.
  • Divulgacao publica de posicoes de advocacy climatico e alinhamento com associacoes setoriais.

Em 2024, menos de 350 empresas em todo o mundo atingiram a A list nas tres divulgacoes combinadas. A nao e impossivel, mas resulta de investimento plurianual, nao de polir a ultima hora.

As alavancas que mais movem o ponteiro

Olhando para centenas de respostas, as alavancas que produzem consistentemente o maior salto sao:

  1. Verificacao por terceiros. Passar de inventario nao verificado para verificado costuma saltar uma banda por si so. O CDP pondera a verificacao com peso elevado.
  2. Cobertura e metodologia de Ambito 3. Um inventario documentado por categoria segundo o GHG Protocol separa candidatos a B de candidatos a C. As estimativas baseadas em despesa sao aceites, mas penalizadas em categorias materiais sem plano para metodos baseados em atividade.
  3. Validacao SBTi. O criterio decisivo para A. Submeter metas a SBTi demora 6 a 12 meses, pelo que nao pode ser deixado para maio.
  4. Evidencia de supervisao do conselho. Nomear o administrador responsavel, frequencia de revisoes climaticas em agenda e comissoes, integracao em terms of reference. Declaracoes genericas nao pontuam.
  5. Programas de envolvimento de fornecedores com resultados mensuraveis. O CDP procura percentagem envolvida, tipo de envolvimento e resultados quantitativos.

Se esta preso em C e quer chegar a B no proximo ciclo, priorize verificacao e cobertura de Ambito 3. Se esta em B e quer A, priorize validacao SBTi e envolvimento de fornecedores.

Erros comuns que custam pontos

Entre ciclos, repetem se as mesmas falhas:

  • Perimetros inconsistentes entre anos. O CDP compara submissoes ao longo do tempo. Acrescentar ou remover entidades sem documentar a alteracao e penalizado.
  • Ambito 3 baseado em despesa sem plano de transicao. Aceitavel no primeiro ano, problematico no terceiro.
  • Metas sem ano base, ano alvo ou ambito claro. “Reduzir emissoes significativamente” nao pontua.
  • Falta de evidencia em governance. Afirmar que o conselho supervisiona o clima sem nomear administrador, comissao ou frequencia.
  • Nao responder Water ou Forests quando a empresa claramente deveria. O CDP cruza cada vez mais a materialidade setorial.

Como planear o proximo ciclo

A pontuacao CDP premeia continuidade, pelo que o plano mais eficaz e plurianual:

  • Ano 1: Ambito 1 e 2 completos, Ambito 3 de screening, evidencia basica de governance. Meta C.
  • Ano 2: Ambito 3 completo com metodologia documentada, verificacao de Ambito 1 e 2, carta de compromisso SBTi, evidencia de supervisao do conselho. Meta B.
  • Ano 3: metas validadas SBTi, plano de transicao com capex, programa de fornecedores com resultados, analise de cenarios. Meta A.

A maioria das empresas que tentam comprimir tudo num so ciclo acaba com um B fragil que cai a C no ano seguinte. A natureza cumulativa do scoring favorece a progressao estavel.

Onde se encaixa a Dcycle

A plataforma que sustenta a sua submissao CDP tem de fazer tres coisas bem: recolher dados primarios continuamente em vez de uma vez por ano, manter uma trilha de evidencia verificavel para cada datapoint e alinhar o inventario com as categorias do GHG Protocol que os scorers do CDP reconhecem. E exatamente esta a arquitetura sobre a qual a Dcycle foi construida. Para ver como se aplicaria ao seu setor e a sua banda atual, solicite uma demo.

Uma boa pontuacao CDP nao e o objetivo. O objetivo e uma organizacao que conhece o seu impacto ambiental em tempo real e o sabe defender. A pontuacao e o subproduto, e quando a capacidade subjacente existe, a banda tende a alinhar se sozinha.

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