O que e a NIS B-1 e porque e relevante para as empresas no Mexico
A 13 de maio de 2024, o Consejo Mexicano de Normas de Informacion Financiera y Sostenibilidad (CINIF) publicou duas normas de sustentabilidade historicas: a NIS A-1 (enquadramento conceptual) e a NIS B-1 (norma de indicadores). Estas Normas de Informacion de Sostenibilidad (NIS) entraram em vigor a 1 de janeiro de 2025, tornando o Mexico um dos primeiros paises da America Latina a exigir uma divulgacao estruturada de sustentabilidade integrada diretamente nas demonstracoes financeiras.
A NIS B-1, formalmente intitulada “Indicadores Basicos de Sostenibilidad” (Indicadores Basicos de Sustentabilidade), exige que as empresas que reportam sob as Normas de Informacion Financiera (NIF) mexicanas determinem, calculem e divulguem 30 metricas especificas de sustentabilidade conhecidas como IBSO (Indicadores Basicos de Sostenibilidad). Ao contrario de outros enquadramentos que permitem uma selecao baseada em materialidade, a NIS B-1 exige que todos os 30 indicadores sejam reportados independentemente do setor, dimensao ou relevancia percebida. Mesmo que o valor de um indicador seja zero, a empresa deve divulga-lo.
O primeiro periodo de divulgacao obrigatoria abrange o exercicio fiscal de 2025, com relatorios a apresentar juntamente com as demonstracoes financeiras de 2026. Isto significa que as empresas precisam de ter sistemas de recolha de dados operacionais desde ja. Os IBSO devem ser apresentados como notas as demonstracoes financeiras anuais preparadas segundo as NIF, nao como um relatorio de sustentabilidade separado. Esta integracao na informacao financeira eleva os dados de sustentabilidade ao mesmo nivel de formalidade das divulgacoes contabilisticas tradicionais.
Os 30 indicadores IBSO: ambiental, social e governanca
A NIS B-1 define 30 indicadores organizados em tres pilares ASG. Destes, 21 sao quantitativos (requerem valores numericos) e 9 sao qualitativos (requerem descricoes). Cada indicador quantitativo deve ser reportado tanto em valor absoluto como em valor relativo para permitir a comparabilidade entre empresas de diferentes dimensoes.
Indicadores ambientais (16)
O pilar ambiental representa mais de metade de todos os IBSO. Estes 16 indicadores abrangem sete temas centrais:
Emissoes de gases com efeito de estufa (GEE)
As empresas devem reportar as emissoes de Ambito 1 (emissoes diretas de fontes proprias ou controladas), Ambito 2 (emissoes indiretas de energia adquirida) e Ambito 3 (todas as restantes emissoes indiretas ao longo da cadeia de valor). O reporte de GEE segue a metodologia estabelecida pelo GHG Protocol. O Ambito 3 beneficia de uma medida transitoria: as empresas podem adiar a sua inclusao ate ao final do exercicio fiscal de 2026, desde que divulguem este adiamento de forma explicita.
Consumo de energia
O consumo total de energia deve ser divulgado juntamente com a percentagem proveniente de fontes renovaveis. Estes indicadores permitem avaliar o progresso da transicao energetica e a eficiencia operacional da empresa.
Atividades e investimento sustentaveis
As empresas devem reportar a proporcao das suas atividades e investimentos que se qualificam como sustentaveis segundo os criterios da NIS B-1. Este indicador tambem beneficia de uma medida transitoria semelhante a do Ambito 3, permitindo o adiamento ate ao final do exercicio fiscal de 2026.
Utilizacao de agua
Quatro indicadores relacionados com a agua abrangem: captacao total de agua, taxas de reutilizacao e reciclagem, volumes de descarga de aguas residuais e utilizacao de agua em zonas classificadas como de stress hidrico. Para empresas que operam em setores intensivos em agua (agricultura, mineracao, processamento alimentar), estes indicadores revestem-se de particular relevancia.
Biodiversidade
As empresas devem divulgar se as suas operacoes se localizam perto ou dentro de areas protegidas ou zonas de elevado valor em biodiversidade. Este indicador reflete a crescente atencao regulatoria aos riscos relacionados com a natureza, alinhado com enquadramentos como a Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD).
Substancias que destroem a camada de ozono
A utilizacao e dependencia de substancias e produtos quimicos que destroem a camada de ozono deve ser reportada. Isto aplica-se a empresas que utilizam refrigerantes, aerossois ou solventes industriais sujeitos ao Protocolo de Montreal.
Gestao de residuos
A geracao total de residuos deve ser reportada desagregada por categorias de perigosos e nao perigosos, juntamente com as taxas de reutilizacao e reciclagem. Isto proporciona visibilidade sobre as praticas de economia circular da empresa e o seu cumprimento da regulamentacao ambiental mexicana (normas NOM).
Indicadores sociais (6)
O pilar social centra-se nas condicoes laborais e na gestao do capital humano:
Disparidade salarial de genero: a diferenca na remuneracao entre colaboradores masculinos e femininos, divulgada como racio ou percentagem.
Horas medias de formacao: horas de desenvolvimento profissional por colaborador por ano, refletindo o investimento em capital humano.
Avaliacoes de desempenho: a percentagem de colaboradores que receberam avaliacoes formais de desempenho durante o periodo.
Acidentes e doencas profissionais: taxas de lesoes e incidentes de saude relacionados com o trabalho, alinhadas com as metricas de seguranca ocupacional (NOM-035 e normas mexicanas semelhantes).
Politicas de igualdade de oportunidades: uma descricao qualitativa das politicas e praticas de igualdade de oportunidades e nao discriminacao da empresa.
Gestao de saude e seguranca: uma descricao qualitativa do sistema de gestao de saude e seguranca ocupacional implementado.
Indicadores de governanca (8)
O pilar de governanca aborda a supervisao corporativa e as praticas eticas:
Conselho de administracao: se a empresa possui um conselho de administracao formal, a sua composicao e o perfil dos seus membros.
Mulheres no conselho: a percentagem de mulheres no conselho de administracao, proporcionando uma metrica mensuravel de diversidade.
Orgao de supervisao independente: se a empresa possui um orgao de supervisao ou auditoria independente que opera separadamente da direcao.
Politica de gestao de riscos: uma descricao qualitativa do enquadramento de identificacao, avaliacao e mitigacao de riscos da empresa.
Estrategia de sustentabilidade: uma descricao qualitativa dos objetivos, compromissos e abordagem estrategica de sustentabilidade da empresa.
Codigo de etica e integridade: se a empresa adotou um codigo de etica formal e os mecanismos para reportar violacoes (canais de denuncia).
Seguranca da informacao: politicas e praticas relacionadas com a ciberseguranca e a protecao de ativos digitais.
Protecao de dados pessoais: politicas que asseguram a protecao de dados pessoais em conformidade com a Ley Federal de Proteccion de Datos Personales en Posesion de los Particulares (LFPDPPP) do Mexico.
Como se diferencia a NIS B-1 do ISSB, da CSRD e de outros enquadramentos
Compreender a posicao da NIS B-1 no panorama global ajuda as empresas que operam em multiplas jurisdicoes a planear a sua estrategia de reporte.
NIS B-1 vs. IFRS S1/S2 (ISSB): As normas do ISSB aplicam-se as empresas cotadas no Mexico atraves do mandato da CNBV. A NIS B-1, por outro lado, foi concebida pelo CINIF para empresas privadas que reportam sob as NIF. Embora ambos os enquadramentos partilhem o objetivo de divulgacao de sustentabilidade, as normas ISSB sao baseadas em principios e requerem avaliacoes de materialidade. A NIS B-1 e baseada em indicadores sem limiar de materialidade: todos os 30 IBSO devem ser reportados. O CINIF indicou que a NIS B-1 convergira progressivamente com as normas ISSB.
NIS B-1 vs. CSRD/ESRS: A Diretiva de Relato de Sustentabilidade Corporativa da UE requer avaliacoes de dupla materialidade e utiliza as Normas Europeias de Relato de Sustentabilidade (ESRS), que contem mais de 1.100 pontos de dados potenciais. A NIS B-1 e mais simples em ambito (30 indicadores fixos) mas partilha muitas das mesmas metricas subjacentes, particularmente em torno de emissoes de GEE, energia, agua e governanca. As empresas sujeitas a ambos os enquadramentos podem construir uma camada de dados comum e mapear os resultados para os requisitos especificos de cada norma.
NIS B-1 vs. GRI: A Global Reporting Initiative utiliza uma abordagem modular baseada em materialidade onde as empresas selecionam as normas relevantes. A NIS B-1 exige todos os 30 indicadores de forma universal. As empresas que ja reportam sob GRI encontrarao uma sobreposicao significativa, mas nao devem assumir que a conformidade com o GRI equivale a conformidade com a NIS B-1. As metodologias de calculo e formatos de apresentacao diferem.
Calendario: datas-chave para o cumprimento da NIS B-1
| Marco | Data | Detalhes |
|---|---|---|
| Publicacao das NIS pelo CINIF | Maio 2024 | NIS A-1 e NIS B-1 emitidas oficialmente |
| Entrada em vigor | 1 janeiro 2025 | Inicia a aplicacao obrigatoria |
| Primeiro periodo de recolha de dados | Exercicio fiscal 2025 | As empresas devem recolher os 30 IBSO |
| Primeiro relatorio obrigatorio | 2026 | IBSO divulgados nas notas as demonstracoes financeiras |
| Expiracao da medida transitoria para Ambito 3 e investimento sustentavel | Fim do EF 2026 | Divulgacao completa de todos os 30 indicadores |
| Auditoria externa (garantia limitada) para empresas cotadas | 2027 | Aplica-se a entidades reguladas pela CNBV sob ISSB |
| Auditoria externa (garantia razoavel) para empresas cotadas | 2028 | Garantia completa sobre dados de sustentabilidade |
Para as empresas privadas, os IBSO sao classificados como “outra informacao” dentro das demonstracoes financeiras. O Instituto Mexicano de Contadores Publicos (IMCP) esclareceu que os auditores nao sao obrigados a auditar os IBSO diretamente, mas devem aplicar procedimentos de “outra informacao” dado que os indicadores aparecem dentro das demonstracoes financeiras auditadas.
Como preparar a sua empresa para o reporte NIS B-1
1. Realize uma analise de lacunas contra os 30 IBSO
Mapeie a sua recolha atual de dados de sustentabilidade contra cada um dos 30 indicadores. Identifique que metricas ja recolhe (muitas empresas reportam emissoes de GEE e consumo de energia voluntariamente), quais requerem novas fontes de dados e quais necessitam de alinhamento da metodologia de calculo com as especificacoes da NIS B-1. Preste particular atencao aos indicadores de agua, substancias que destroem o ozono e metricas de governanca, que sao frequentemente as lacunas mais comuns para empresas novas no reporte estruturado de sustentabilidade.
2. Implemente infraestrutura automatizada de recolha de dados
Recolher 30 indicadores manualmente de sistemas internos dispersos (faturas de servicos, plataformas de recursos humanos, licencas ambientais, atas do conselho) consome muito tempo e e propenso a erros. A plataforma de recolha automatizada de dados da Dcycle conecta-se diretamente a estas fontes, extraindo e validando os dados necessarios para cada IBSO. Isto elimina os fluxos de trabalho baseados em folhas de calculo e cria o rasto de auditoria que os auditores das demonstracoes financeiras irão rever.
3. Calcule emissoes com metodologias verificadas
As emissoes de GEE (Ambitos 1, 2 e 3) representam os IBSO tecnicamente mais complexos. O Ambito 3 sozinho pode representar entre 70% e 90% das emissoes totais de uma empresa e requer envolvimento com fornecedores, modelacao baseada em despesa ou dados de atividade de toda a cadeia de valor. As capacidades de medicao de pegada de carbono da Dcycle utilizam fatores de emissao verificados e suportam multiplas metodologias de calculo alinhadas com o GHG Protocol, que e a norma de referencia para os indicadores de emissoes da NIS B-1.
4. Prepare o formato de reporte
A NIS B-1 exige que os IBSO sejam apresentados em formato tabular nas notas as demonstracoes financeiras. Cada indicador quantitativo deve mostrar valores absolutos e relativos. Os indicadores qualitativos requerem descricoes estruturadas. Comece a trabalhar com as suas equipas de financas e contabilidade agora para definir como as tabelas de IBSO se integrarao na estrutura existente de notas as suas demonstracoes financeiras.
5. Planeie o Ambito 3 com antecedencia
A medida transitoria sobre emissoes de Ambito 3 expira no final do exercicio fiscal de 2026. As empresas que atrasem a preparacao do Ambito 3 enfrentarao prazos comprimidos e custos mais elevados. Comece por mapear as categorias de Ambito 3 com maiores emissoes (tipicamente bens e servicos adquiridos, transporte a montante e viagens de negocios) e estabeleca canais de recolha de dados com fornecedores-chave. Para empresas com cadeias de abastecimento complexas, comecar cedo e essencial.
O que se segue: a segunda fase de normas do CINIF
A NIS B-1 representa a primeira fase do enquadramento de reporte de sustentabilidade do Mexico. O CINIF anunciou que uma segunda fase introduzira normas mais complexas que abregerao:
- Avaliacao detalhada de riscos e oportunidades (alem dos atuais indicadores qualitativos de governanca)
- Analise de cenarios climaticos e planeamento de transicao
- Metricas de sustentabilidade especificas por setor
- Convergencia progressiva com as IFRS S1 e S2
As empresas que construam uma infraestrutura de dados robusta para os 30 IBSO atuais estarao melhor posicionadas para absorver estes requisitos adicionais sem comecar do zero.
Proximos passos
O prazo da NIS B-1 nao e teorico. Os dados do exercicio fiscal de 2025 estao a ser gerados neste momento, e devem ser recolhidos, calculados e divulgados nas demonstracoes financeiras de 2026. As empresas que nao comecaram a preparacao ja estao atrasadas.
Para uma avaliacao detalhada de como a sua infraestrutura de dados atual se mapeia contra os 30 requisitos IBSO, solicite uma demo da plataforma Dcycle. As capacidades de recolha automatizada de dados, motor de calculo multi-enquadramento e reporte preparado para demonstracoes financeiras da plataforma foram concebidas para exatamente este tipo de transicao regulatoria.
Para contexto adicional sobre o mandato ISSB da CNBV para empresas cotadas e como estao a evoluir as normas internacionais de sustentabilidade, explore a colecao de reporte de pegada de carbono.